Notas sobre uma temporada
Ontem, 2009 literalmente ficou pra trás. Nos próximos meses nos esqueceremos dos filmes que passaram nos cinemas, da cerimônia do Oscar mais chata dos últimos anos, dos discursos sem criatividade, do terrível número de dança e dos outros 9 filmes que concorreram a melhor filme(era beeeem mais fácil ter que esquecer somente 4!!). Nos esqueceremos dos atores/atrizes pra quem torcemos, dos curtas que assistimos e de todos os prêmios que consideramos “absurdos” ou uma grande injustiça com algum dos outros indicados.
Querendo ou não, 2009 foi o ano de Kathryn Bigelow e seu Guerra ao Terror. O filme independente que desbancou Avatar, limpou os prêmios da crítica, dos Sindicatos e fez história no Kodak ontem ao levar 6 estatuetas e fazer de Bigelow a primeira mulher a vencer o prêmio de melhor Direção. Logo no início da cerimônia, quando Mark Boal levou o Oscar de melhor roteiro original(desbancando o favoritíssimo Quentin Tarantino), já era um sinal claro de que o pequeno independente seria o gigante da noite. Os 2 prêmios na categoria de som só confirmaram que Avatar estava pra trás e que a vitória de Guerra ao Terror era inevitável.
Quem acompanhou o blog durante os últimos meses sabe que torci pelo filme. Não que ele represente o “melhor” do ano ou o “melhor” entre os indicados, mas Guerra ao Terror era dentre as opções a escolha óbvia a ser feita por uma Academia que representa antes de mais nada uma instituição tradicionalíssima e que ano após ano escolhe sempre dentre de um mesmo padrão e confere um caráter uniforme a seus escolhidos. Acho coerente, mesmo que nem sempre justo.
Na tentativa de agradar a todos, atrair um publico mais jovem e elevar os índices de audiência a premiação esse ano foi um tiro no pé. Foi chata como há muito não se via, foi longuíssima, previsível e sem emoção. Um número músical na abertura??? Só vale se tiver Hugh Jackman. Cinco atores homenageando os indicados??? Só vale se eles foram ícones e não apenas “camaradas” que pareciam apenas entoar o canto do “fulano é um bom companheiro” e não estavam preocupados em ressaltar a qualidade do trabalho pelo qual os mesmos haviam sido indicados. Uma homenagem de 10 minutos a John Hughes??? Atrair os jovens de hoje com A garota de Rosa Choque e Ferris Bueller??? Foi então que nesse momento ninguém mais esperou os astros da saga Crepúsculo e foi dormir.
Sandra Bullock e Jeff Bridges ganharam por sobreviver décadas em Hollywood. Mo’nique e Chistoph Waltz levaram exclusivamente pela excelência de seus trabalhos. Justo ou não a história em 2009 foi escrita com o nome deles e é disso que nos lembraremos daqui a 12 meses quando então ligaremos a TV para assistir o show novamente e acenar com um certo descaso a tudo o que não nos agrada e abraçar com alegria aqueles que nos fizeram sair de casa e ir ao cinema em 2010.
Hoje começaremos tudo novamente. Novos filmes, novas perspectivas, novas especulações e mais um ano inteiro na esperança de que o ano que vem seja melhor, de que Meryl Streep faça algo legal novamente, de que a cerimônia em 2011 seja diferente ou mais emocionante do que a última, já que mais curta ela certamente não será!!!!!
Oh my God !!!!
E o portfólio mais sensacional da temporada veio do NY Times. Divido em 4 albuns: Great Performances, The Secret Lives of Girls, Backstage Pass e The Run-Up as fotos abrangem os grandes nomes do ano no cinema, os bastidores dos Globos de Ouro e a turnê para promover “Coração Louco” que faz Jeff Bridges percorrer os EUA há meses.
Assinadas por diferentes artistas as fotos são nada menos que espetaculares e valem cada clique.
Boca Livre
Como já é tradição, a Academia mais uma vez celebrou seus eleitos em 2010 com o seu “Nominees Luncheon”. Nesse ano, 121 indicados compareceram ao almoço, onde entre fotos e sorrisos também pararam para conversar com os jornalistas.
Atração maior do evento e franca favorita Sandra Bullock mais uma vez mandou bem na humildade: ” Does anybody expect a nomination? I certainly didn’t. I’m really very amazed and thankful to be here, because I’d like to work hard for another 10, 15 years. So if this is what that means, bring it.”
E pra ver a tradicional foto com todos os indicados ao Oscar 2010 só clicar aqui(via awardsdaily).
É Carnaval !!!
E pra animar o mundo inteiro Penélope Cruz e Javier Bardem resolveram dar o ar da graça juntos oficialmente pela primeira vez na cerimônia dos prêmios Goya ontem!!!
Penélope concorria como melhor atriz por Abraços Partidos mas não levou o prêmio. Para acompanhar o resultado da premiação, só clicar aqui.
Desperdício??
Só eu acho que lançar Alice em março é jogar fora pelo menos umas 3 indicações ao Oscar em 2011???? Pelo trailer já daria para dizer que Direção de Arte, Figurino e Maquiagem estariam garantidos!!!!
Com um lançamento no segundo semestre(ou até mesmo no verão) o filme certamente ficaria mais vivo na cabeça dos eleitores que poderiam dar ao novo filme de Tim Burton o mesmo destino que deram para “A lenda do cavaleiro sem cabeça” e “Sweeney Todd” que acabaram com pelo menos 3 indicações cada um.
Tocendo desde já para que o filme “resista” até o fim do ano!!!!!
Penélope von Trier
O grande assunto da semana, sem sombra de dúvida foi a notícia de que Penélope Cruz estaria em negociações para protagonizar Melancholia, o novo filme de Lars von Trier. Para quem gosta do trabalho dele não poderia existir notícia melhor. Ninguém produz material tão interessante para suas atrizes quanto o diretor dinamarquês, que sempre as coloca no centro de suas tramas em um enredo angustiante e que finda por submete-las a um martírio interminável do começo ao fim de seus filme.
Se a notícia se confirmar, certamente Penélope terá um papel muito rico em suas mãos, daqueles capaz de chamar a atenção do mundo inteiro, render uma chuva de prêmios e que a qualificará para o seleto grupo de musas do diretor que inclui Emily Watson(Ondas do Destino), Björk(Dançando no Escuro), Nicole Kidman(Dogville), Bryce Dallas Howard(Manderlay) e Charlotte Gainsbourg(Anticristo).
Como sempre,o diretor planeja usar o Festival de Cannes 2011 como plataforma para o lançamento de sua nova produção. O festival é sempre muito receptivo aos trabalhos de Von Trier que já levou a Palma de Ouro por Dançando no Escuro , o Grande Prêmio do Júri por Ondas do Destino e viu 2 de suas protagonistas ganharem o prêmio de Melhor Atriz( Björk e Charlotte Gainsbourg).
O grande entrave à participação de Penélope em Melancholia são as negociações para o seu papel em Piratas do Caribe 4, produção a ser rodada no próximo verão americano e coincidentemente também o mesmo período pretendido por von Trier para as filmagens do seu longa.
Agora é torcer para que Penélope prefira o sofrimento dinamarquês a navegar com o Capitão Jack Sparrow!
And UP they go!
Desde 1995 com o início das atividades da Pixar na produção de longas de animação todos nós paramos de encarar “desenho” como coisa de criança. Em 15 anos a Pixar nos deu 10 bons motivos para irmos ao cinema e nos divertiu como nenhum outro estúdio soube fazer com tamanha regularidade.
A última empreitada deles- Up – recebeu na semana passada 5 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme(que já era esperada e merecida desde o ano passado com o aclamado lançamento de Wall-E), roteiro original, trilha sonora, edição de som e melhor longa de animação.
Com 15 filmes(longa metragem) sob sua assinatura, a Pixar já coleciona um total de 35 indicações ao Oscar e 6 estatuetas(excluindo aqui os curtas). Desde a criação do prêmio para melhor longa de animação(em 2003) todos os seus lançamentos foram incluidos entre os selecionados pela Academia e apenas 2 deles perderam o Oscar: Monstros S/A (perdeu para Shrek) e Carros(preterido por Happy Feet). Porém o que mais chama a atenção na trajetória do estúdio no Oscar são as sucessivas indicações para a estatueta de Melhor Roteiro.
Toy Story, Procurando Nemo, Os Incríveis, Ratatouille, Wall-E e Up não só tiveram suas qualidades técnicas reconhecidas, mas também foram celebrados pela excelência de seus roteiros originais. É bem verdade, que nenhuma dessas indicações se converteu em prêmio, mas o fato é que apesar de todas as inovações que a Pixar agregou no ramo da animação nos últimos anos, o que a diferencia de seus concorrentes é sem sombra de dúvida a qualidade das histórias que seus filmes contam.
Outra categoria em que as animações da Pixar sempre se destacam no Oscar é na de melhor Trilha Sonora. No total foram 12 indicações(apenas as trilhas de Toy Story 2, Os Incríveis e Carros ficaram de fora), porém sem nenhum prêmio. Eis aqui para mim a maior injustiça do Oscar em relação a Pixar: a trilha de Os Incríveis é excepcional e merecia ao menos uma indicação(principalmente num ano ruim em que a trilha sem graça de Em Busca da Terra do Nunca saiu premiada)
Enquanto se prepara para receber seu terceiro Oscar consecutivo de melhor longa de animação(a vitória de Up é pra lá de certa), a Pixar anuncia seus próximos lançamentos: Toy Story 3(ainda esse ano), The Bear and the Bow(o primeiro conto de fadas a ser lançado pelo estúdio),Monstros S/A 2, Carros 2( pra que? pra que?) e o que aguardo com mais ansiedade: o longa Newt(previsto para 2012) que conta as aventuras das 2 últimas salamandras de patas azuis existentes no planeta e que são forçadas a se reproduzir para garantir a perpetuação da espécie(o detalhe é que elas se odeiam!).
Para quem quiser saber mais sobre a Pixar, é só clicar no site deles que além de incrível ainda conta com uma área onde vc pode cadastrar seus trabalhos e quem sabe assim, se tornar um colaborador do maior estúdio de animação da atualidade.
Por um lugar no Red Carpet
A capa da New York Magazine dessa semana ostenta a seguinte frase: ”Seducing Oscar”. Em um artigo extenso porém preciso (talvez o mais bacana já escrito acerca das campanhas pré-Oscar), o texto aborda os estúdios e suas estratégias para promover seus filmes e traz uma rica descrição dos bastidores da temporada e seus desfechos que vão muito além daquilo que vemos na TV.
Em detalhes, a matéria descreve as intermináveis cerimônias de premiação, a importância do discurso perfeito para os vitoriosos e a peregrinação em talk shows, ensaios para capas de revistas, jantares e homenagens que são itens obrigatórios a todos os aspirantes a uma indicação ao Oscar.
Uma produção bem realizada ou uma atuação memorável num filme bem recebido pela crítica parece não ser mais o suficiente para garantir um lugar no Kodad Theatre na noite do Oscar. É necessário ver e ser visto. É necessário chamar atenção dos quase 6.000 eleitores da Academia. E numa campanha onde tempo é dinheiro, timing é mais que fundamental, como por exemplo, o caso da distribuidora Summit Entertainment que com receio de não poder competir com o fenômeno “Quem quer ser um milionário?” ano passado, compra “Guerra ao Terror” ainda em 2008, porém só o lança em 2009 justamente para aumentar as chances do filme durante a temporada de premiação em 2010.
O artigo também aborda “candidaturas” específicas como a de Jeff Bridges e traz ainda um portfolio incrível com fotos dos bastidores de todas as premiações que aconteceram até agora. Para ler na íntegra e ver todas as fotos é só clicar aqui.


















